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Conselho de Saúde alerta “sem atenção primária a pandemia não será controlada” em Campo Mourão

O novo coronavírus é o agente causador de uma doença que se revelou um problema de saúde pública global. Com a confirmação de tantos casos desta doença em Campo Mourão, tornou-se indispensável à adaptação e adequação do Sistema Único de Saúde (SUS) na condução de mecanismos de resposta para pandemia, sendo a atenção primária peça fundamental neste processo, é o que analisa Lenilda de Assis, sanitarista e Presidente do Conselho Municipal de Saúde (Comus) de Campo Mourão.

As ações de combate à pandemia, focadas exclusivamente nos serviços hospitalares, no número de leitos gerais e de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), não valorizam a atenção primária como linha de frente. Para a conselheira as ações que têm sido tomadas por gestores públicos, centralizando os esforços em dar suporte hospitalar ao paciente já infectado, são de extrema importância, mas não bastam para baixar a curva de contágio na cidade. É preciso avançar para uma nota etapa.

Diretoria do Conselho Municipal de Saúde de Campo Mourão.

Nesse período de afastamento social o Conselho de Saúde se reúne virtualmente para pensar programas de apoio à pandemia na cidade e tem sempre sugerido mais investimentos em ações que se antecipem a ação do vírus. “Nesse momento é importante investir as verbas que estão sendo disponibilizadas para o município em três frentes: atenção primária, condições seguras de trabalho para os profissionais de saúde e acompanhamento das sequelas pós-recuperação da covid-19, para além da criação de leitos”, explica a presidente do Comus.

Segundo Lenilda, para os conselheiros, a integração entre a vigilância epidemiológica e a atenção primaria é uma tarefa que transpõe a pandemia. Os investimentos financeiros nessa nova etapa deveriam ser, em grande parte, destinados para melhorar a atenção primária, a partir de testagem, isolamento do infectado, rastreamento das pessoas com as quais o positivado teve contato, o cuidado com os doentes com sintomas leves, e a continuidade da atenção aos pacientes crônicos, a idosos, às grávidas e aos bebês.

Quando se fala em medicina preventiva, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que o atendimento primário permite solucionar 80% das necessidades de atendimento médico da maioria da população, além de reduzir o número de internações em 17%.

Municípios com uma boa organização dos serviços de saúde conseguem detectar precocemente os casos mais graves, encaminhando-os mais rapidamente para internação. “Se olharmos os dados brasileiros, 40% da população adulta têm uma ou mais doenças crônicas. E as próprias doenças crônicas têm sido o principal fator de óbito de Covid-19. Do total, 72% das mortes estão relacionadas a isso.”

“Passada esta crise sanitária, muitas coisas em saúde pública precisarão ser repensadas”, finaliza Lenilda. Estudos estão mostrando que pacientes curados da covid-19 precisam vencer sequelas variadas e que podem durar meses. A luta para se livrar das inflamações e lesões deixadas pelo vírus pode ser longa e atinge até quem teve as formas leves da doença. Muitos precisam de fisioterapia e reabilitação e isso também deve ser levado em consideração na hora da distribuição dos recursos.


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